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Ensinando da Forma que fui ensinado

Minha trajetória no universo acadêmico teve início logo cedo, imediatamente após concluir minha graduação em Engenharia, quando mergulhei no mestrado e, subsequentemente, abracei as carreiras de pesquisador e professor na mesma área. Recordo-me com nitidez dos primeiros dias em sala de aula, do esmero e do afeto que imprimia no preparo de cada aula. Naqueles dias, sem qualquer vivência como docente, eu me aprofundava nos livros da disciplina, meticulosamente seguindo cada capítulo e tópico, com o intuito de transmitir o conteúdo ali exposto. A reflexão sobre como descomplicar e engajar os estudantes em matérias complexas era constante. Nesse processo, desenvolvia slides e planejava atividades que, essencialmente, refletiam a sequência dos livros e as experiências acumuladas como estudante.

Estou convicto de que as primeiras aulas que ministrei tinham seu mérito e que os materiais didáticos eram de notável qualidade. Os feedbacks positivos dos alunos reforçavam essa percepção. No entanto, uma retrospecção me leva a questionar se, naquela época, eu realmente considerava as peculiaridades dos discentes ou se adaptava o ensino ao contexto da região onde atuávamos. Reflito também sobre se tinha clareza das expectativas para com os alunos ao término de cada aula ou curso. E a resposta honesta é que não. Eu seguia um modelo didático que me foi exemplar, mas que, porventura, não contemplava as nuances da aprendizagem individual.

As aulas eram predominantemente expositivas, uma quase transcrição dos textos dos livros, intercaladas por momentos dedicados à resolução de exercícios. As avaliações, por sua vez, eram variações de problemas extraídos dessas mesmas obras. A finalidade dessas provas se restringia a atribuir uma nota, um parâmetro para a aprovação ou reprovação dos estudantes. Esse processo ocorria desprovido de uma reflexão mais profunda sobre o propósito das aulas ou a essência do ato de ensinar.

Contraditório? Talvez. Contudo, reconheço que se estivesse amparado por uma sólida base pedagógica e por um conhecimento mais aprofundado em ciências da educação, minhas aulas teriam sido substancialmente mais proveitosas. Em outras palavras, a metodologia que apliquei funcionava, mas reconheço que havia espaço para aprimoramento.

Nos posts que se seguirão, compartilharei como evoluí de um educador que primava pela reprodução de conteúdos para um que busca compreender o perfil e as necessidades de cada aluno, visando desenvolver atividades educativas mais significativas e estimulantes.

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